Terapia de fotobiomodulação para dor lombar

Terapia de fotobiomodulação não diminui dor e incapacidade em pacientes com dor lombar não específica

A terapia de fotobiomodulação é uma terapia não térmica e não ionizante, aplicada na forma dos velhos conhecidos: lasers, LEDs e outras luzes com faixa espectral mais ampla. Esta terapia tem sido utilizada na prática clínica para diminuir dor e incapacidade, além de diminuir inflamação e dano tecidual em desordens músculo-esqueléticas, como a dor lombar não específica, por exemplo.

Entretanto, até agora, a melhor evidência disponível acerca dos efeitos benéficos da terapia de fotobiomodulação em dor lombar não específica permanecia inconclusiva, além de ser antiga e defasada, dificultando o embasamento de recomendações clínicas para o seu uso. Sendo assim, estava na hora de atualizar esta evidência!

Portanto, conduzimos uma revisão sistemática a fim de sumarizar os efeitos da terapia de fotobiomodulação (isolada ou não), comparada com qualquer outro tratamento, na dor e incapacidade de pacientes com dor lombar não específica. Além disso, investigamos se utilizadas as recomendações de doses da WALT (Associação Mundial de Terapia de Fotobiomodulação) os efeitos poderiam ser melhores.

O resultado encontrado mais importante foi que, utilizar a terapia de fotobiomodulação não é melhor que usar placebo para dor lombar aguda, subaguda e crônica.

Além disso, encontramos que a terapia de fotobiomodulação mais exercício é melhor que o uso de ultrassom mais exercício. E que, terapia de fotobiomodulação mais manipulação espinhal mais exercício é melhor que apenas exercício. Por fim, encontramos que terapia de fotobiomodulação é pior que Tecarterapia (terapia através da transferência de energia capacitiva e resistiva). No entanto, nossos resultados demonstraram que a qualidade da evidência é baixa, ou seja, pesquisas futuras provavelmente mudarão o efeito estimado e terão impacto significativo na confiança a respeito deste efeito. Por isso, nossos resultados devem ser interpretados com cautela!

Nossa mensagem principal para os cientistas é, que se tem investigado parâmetros muito variados e irracionais de terapia de fotobiomodulação para o uso em dor lombar não específica. Além disso, há uma pobreza na descrição destes parâmetros e estudos muito pequenos têm sido realizados nesta área. Já a nossa mensagem principal para os pacientes e clínicos é, que não há evidências que suportem o uso de terapia de fotobiomodulação para diminuir dor e incapacidade, mesmo quando usada as doses recomendadas pela WALT, em pessoas com dor lombar não específica aguda, subaguda e crônica. Portanto, procure um recurso terapêutico melhor para tratar seus pacientes com dor lombar.

Por Shaiane Tomazoni
5 de agosto de 2020

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