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Rio 2016

Incidência de doenças e lesões durante os jogos olímpicos do Rio 2016

O objetivo desse estudo foi monitorar todas as doenças e lesões que aconteceram durante os jogos. Houveram apenas dois brasileiros no time de pesquisa do Comitê Olímpico Internacional: o professor Leonardo Costa e o professor Alexandre Dias Lopes; ambos professores da Universidade Cidade de São Paulo.

Foram monitorados 11274 atletas de 207 países em tempo real durante toda a olimpíada. Havia, na época, um imenso temor internacional de uma epidemia de Zika virus, assim como possíveis problemas de contaminação com água da baia de Guanabara. Esses dois problemas foram imensamente divulgados pela imprensa nacional e internacional nos meses que antecederam os jogos.

Felizmente, nenhuma das duas “tragédias” aconteceu. Cerca de 5% dos atletas adoeceram durante os jogos, sendo que a mulheres adoeceram mais que os homens. Cerca de 50% dos casos foram de problemas respiratórios, devidos a infeções virais como gripe, por exemplo ou casos de bronquite e asma. Doenças do aparelho digestivo ficaram em segundo lugar, com 21% dos casos e doenças de pele ficaram em terceiro lugar, com 9% dos casos. Foram raríssimos os casos de doenças severas. Curiosamente, a incidência de doenças nos jogos do Rio foi inferior aos jogos de Londres (2012), Vancouver (2010), e Sochi (2014). Houve uma morte (por acidente de carro) de um atleta, durante os jogos do Rio.

8% dos atletas se lesionaram nos jogos do Rio. Uma incidência menor que os jogos de Beijing, Vancouver, Sochi e Londres. O esporte líder em lesões foi o BMX, seguido do boxe, montain bike, teakwondo, polo aquático e rugby. Os dados não surpreendem devido a natureza desses esportes. Mas é importante lembrar que a pista de BMX do Rio 2016 foi considerada a mais rápida da história do esporte, o que pode ter contribuído para o alto número de lesões e acidentes (37.5 lesões para cada 100 atletas). Além disso, houve uma mudança nas regras do boxe olímpico, em que o capacete não foi utilizado, o que aumentou em demasia, o número de cortes, por exemplo (30 lesões a cada 100 atletas).

60% das lesões foram suficientemente graves para afastar os atletas de treinos e competições. A maioria das lesões foram no joelho, coxa, tornozelo e face. A lesão mais comum foi o estiramento muscular, seguido de contusões/hematomas. 71% das lesões foram agudas (aconteceram durante a competição ou treinamentos no Rio de Janeiro). Em resumo, as taxas de doenças e lesões nas olimpíadas do Rio foram similares (e em alguns casos até inferiores) dos jogos anteriores. Esforços para minimizar o número de lesões e doenças devem ser continuados para uma maior preservação da saúde dos atletas.

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Por Leonardo Costa
15 de fevereiro de 2020

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